Pessoas autistas sofrem geralmente de um grande número de problemas – perturbações sensoriais, alergias a comida, problemas gastrointestinais, depressão, compulsão obsessiva, epilepsia subclínica e hiperactividade. Mas existe, segundo acreditam os investigadores, um defeito central, que é a dificuldade que as pessoas para além do espectro autista têm em desenvolver uma teoria mental. O psicólogo infantil da Universidade de Washington Andrew Meltzoff defende que a fase de desenvolvimento conhecida como os “terríveis dois” ocorre porque as crianças – normais – criam a hipótese de que os seus pais têm mentes independentes e então, como cientistas, procuram testá-la. As crianças dentro do espectro autista, contudo, são cegas à mente; elas parecem pensar que o que está na sua mente é idêntico ao que está na mente de toda a gente e que o que elas sentem é o que toda a gente sente. A noção de que outras pessoas – pais, colegas, professores – podem ter outra visão das coisas, de que podem...